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TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) NA AUDITORIA EM ENFERMAGEM

As vantagens tecnológicas permitem aos enfermeiros a oportunidade de guiar seus próprios destinos, adaptando os recursos tecnológicos disponíveis na prática profissional, para auxiliá-los na identificação de tendências emergentes no cuidado de saúde, representando oportunidades únicas para o crescimento profissional. A prática profissional de enfermagem é bastante ampla e exercida em diversos setores do atendimento em saúde, desde o cuidado direto e a prevenção até as atividades de administração, gestão, consultoria, auditoria, dentre outras. Os últimos anos tem mostrado que em todos estes setores de atividades, assim como na vida diária, os recursos tecnológicos e de comunicação permeiam e fazem com que a sociedade se organize à sua volta. Para o enfermeiro que atua em auditoria não é diferente e cabe portanto a estes profissionais a identificação de quais recursos trarão mais facilidades e poderão auxiliar, impondo mais agilidade e organização nas tarefas. A auditoria em enfermagem avalia continuamente a qualidade da assistência de enfermagem prestada ao paciente, desde a internação até a alta, com a análise da documentação registrada no prontuário e a verificação das condições do atendimento prestado ao paciente durante o período de internação por meio de visitas in loco, para assegurar que o pagamento da conta hospitalar seja feito com exatidão.

Um dos primeiros trabalhos de auditoria em enfermagem data de 1955 e foi desenvolvido no Hospital Progress, nos Estados Unidos. No Brasil, a auditoria em enfermagem começou a ser implantada em 1983 no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Desde então, a auditoria em enfermagem, tanto de qualidade quanto de contas hospitalares, vem crescendo em todo o Brasil com inúmeras áreas de atuação para o enfermeiro tais como: (a) empresas de home care na área de medicina preventiva e gerenciamento de casos crônicos; (b) nos hospitais em serviços de educação continuada, no serviço de faturamento; (c) nas operadoras de saúde, nos serviços de credenciamento, liberação prévia e perícias, serviço de contas médicas, gestão de materiais de alto custo, controladoria hospitalar (acompanhamento dos internados); (d) empresas multinacionais de produtos hospitalares; (e) indústrias farmacêuticas e (f) setor de prática clínica baseada em evidências.

Na auditoria hospitalar relacionada com serviços de enfermagem, o enfermeiro é o profissional mais habilitado, conforme consta na resolução 266 de 05 de outubro de 2001, do Conselho Federal de Enfermagem. Nesta resolução esta explícito que cabe privativamente ao enfermeiro organizar, dirigir, coordenar, avaliar, prestar consultoria e auditoria e emitir parecer sobre os serviços de auditoria de enfermagem. É a resolução COFEN nº 266/2001 que aprova as atividades do Enfermeiro Auditor, cabendo somente a ele realizar auditoria em enfermagem.

Informação é essencial para planejar, cuidar e avaliar a qualidade do cuidado prestado. Ter informação, além de viabilizar e dar poder de decisão, permite que o profissional tenha atuação ética, baseada em princípios científicos atuais e evidentes. Ou seja, todas as atividades em saúde estão relacionadas com a busca e o uso da informação. Neste sentido, quanto melhor os sistemas informatizados conseguem registrar, armazenar e disponibilizar esta informação, tanto melhor será o ato do profissional – melhor informação, maior qualidade na tomada de decisão.

No que tange a prática profissional do enfermeiro auditor na área em saúde suplementar, a informática já está sendo utilizada para auxiliar na codificação de honorários médicos, medicamentos, materiais como também no uso de novos sistemas para análise de contas hospitalares e na própria análise da auditoria junto ao Prontuário Eletrônico do Paciente.

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) vem sendo utilizadas na auditoria em enfermagem como uma ferramenta informatizada para facilitar, agilizar e otimizar os processos da auditoria.

Há um longo caminho para tornar a prática da auditoria em enfermagem com o uso da informática algo mais divulgado e mais utilizado. É preciso que tenham mais profissionais enfermeiros auditores especialistas em informática em saúde, que os aplicativos desenvolvidos sejam customizados de forma a facilitar as tarefas e que haja incentivos dos gestores, além de obviamente haver maior incentivo à pesquisa nessa área e que desta forma, o enfermeiro assuma o papel de selecionar a tecnologia adequada e dirija seu caminho profissional com propriedade. O enfermeiro auditor como conhecedor da área de assistência de enfermagem, cobranças em contas hospitalares e auditoria de enfermagem tem condições de auxiliar a equipe de informática no desenvolvimento de aplicativos na área, realizar pesquisas científicas com embasamento em auditoria de enfermagem e uso de TICs, contribuindo assim para o progresso da área. Vale a afirmação: “Quem não reconhece hoje a importância da adoção plena dos recursos das TICs em saúde de acordo com princípios e requisitos de usabilidade - sejam eles funcionalidade declarada (aquilo que realmente funciona no ponto de cuidado), maturidade, avaliação e implantação de acordo com padrões de segurança, confidencialidade, privacidade, troca de informações eficiente e exequível - não conhecerá, no futuro, o sucesso”.

Prof. Dinart Rocha Filho